sábado, 20 de março de 2010

O mundo particular dos Otakus

Quando se é jovem, busca-se uma referência de vida, de acordo com os gostos pessoais, para poder ser aceito, pelo menos, dentro de um agrupamento específico. Nesse contexto estão as chamadas "tribos urbanas", que podem ser denominadas como grupos de pessoas que por quererem ser reconhecidos diante da sociedade como diferentes, manipulam alguns traços específicos como vestimentas, línguas/dialetos/gírias e religião.

Entre elas está a Otaku. Pela grafia e sonoridade da palavra dá pra notar que tem origem na terra do sol nascente. Para falar um pouco sobre o que são os integrantes dessa tribo convidamos Lara Dahas, 21 anos, Bacharel recém-formada em Moda pela Unama e Otaku há 4 anos. Na entrevista, Lara Dahas revelou detalhes importantes para entendermos melhor essa tribo, cujas características vão além de ser fã de animes e mangas.

Os otakus podem ser definidos como fãs da cultura japonesa, não necessariamente só dos animes e mangas, mas também da música, moda, culinária, etc. Na verdade, a pessoa que gosta dos desenhos japoneses acaba sendo atraída pelos outro fatores culturais japoneses, que são bastantes interligados e interessantes.

A tribo surgiu na década de 70 com o sucesso alcançado pelos animes e o surgimento do cosplay, que consiste em fantasiar-se de alguém ou algum personagem pré-existente. No caso de Lara, suas duas primeiras fantasias foram de personagens de games. No Brasil, a tribo foi difundida na década de noventa. Para Lara essa paixão, iniciada na adolescência, perdura até hoje. "No primeiro evento otaku aqui em Belém foi como se eu estivesse na Disney de tão encantada que fiquei”, lembra. E essa experiência despertou o seu interesse pela moda. A jovem bacharel relata que seu primeiro Cosplay ficou muito rústico, mas foi divertido, tanto que depois desse, já confeccionou outros cinco cosplays.

Os membros da tribo são jovens e adultos que no dia a dia se vestem como qualquer pessoa, mas em eventos do grupo usam toucas com orelhas, luvas como patas, camisetas com estampas de seus personagens preferidos e meias coloridas. Geralmente, são pessoas bastante animadas e expressivas.

A maioria dos elementos para montar uma fantasia já podem ser achados em Belém. "Os inexperientes montam fantasias muito caras, mas quem entende do assunto consegue fazer ele mesmo a sua, não precisando de tanto dinheiro", afirma Lara. A outra alternativa para quiser economizar é o “Cospobre”, denominação usada pelos cosplayers, quando o integrante usa uma roupa do próprio guarda-roupa para transformá-la em fantasia.

Mesmo sem fazer cosplay (o último que fez foi usado em 2009), Lara Dahas ainda freqüenta os eventos da tribo, onde estão 90% dos seus amigos. "É bom que no Brasil Otaku esteja relacionado apenas aos fãs de animes e mangas. No Japão é uma denominação pejorativa, pois os otakus são associados a pessoas que deixam de viver em função de sua paixão arrebatadora por alguma coisa. Aqui, existem os fanáticos descontrolados, mas também existem os que conseguem conviver com as suas preferências, sem deixar afetar a sua vida" analisa.

TEXTO Janice Accioli, Lucilene de Carvalho, Iam Vasconcelos, Bárbara Pereira, Renata Vilhena, Rosimeire Gomes EDIÇÃO Rosyane Rodrigues

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